Vencedor | Prémio Literário João da Silva Correia 2022 | Poesia
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Vencedor | Prémio Literário João da Silva Correia 2022 | Poesia

Júri do Prémio Literário João da Silva Correia distingue obra da autoria de Osvaldo Copertino Duarte, professor e escritor brasileiro radicado na Amazônia.

“À Sombra do Escondido” é a obra vencedora da edição de 2022 do Prémio Literário João da Silva Correia, promovido pela Câmara Municipal de S. João da Madeira e dedicado à poesia. O autor é Osvaldo Copertino Duarte, professor e escritor brasileiro radicado na Amazônia. 

A decisão foi tomada por unanimidade pelo júri do concurso, constituído pelo diplomata e escritor Luís Castro Mendes – Ministro da Cultura entre abril de 2016 a outubro de 2018 –, o poeta José Fanha, que é um dos comissários do Festival Poesia à Mesa, e António Baptista Lopes, da editora Âncora, com quem o Município de S. João da Madeira mantém uma parceria na edição dos livros do Prémio João da Silva Correia.

Depois de analisadas todas as propostas a concurso – provenientes de várias localidades de Portugal, França, mas também do Brasil –, o júri decidiu premiar “À Sombra do Escondido”, considerando que a obra se destacou “pela sua coragem verbal e imagética e pela rica densidade do seu mundo poético”, o que levou o júri a atribuir-lhe, por unanimidade, o prémio João da Silva Correia.

“À Sombra do Escondido” é da autoria de Osvaldo Copertino Duarte, professor e escritor brasileiro radicado na Amazônia. Fez estudos em Letras, com mestrado em Teoria da Literatura e Literatura Comparada e Doutorado em Teoria da Literatura. Como escritor, dedica-se especialmente à poesia, à literatura infantil e ao ensaio literário, tendo escrito ou organizado obras como Dias férteis (poesia), Abri abriste abreu (literatura infantil) e Literatura como lugar (ensaio literário).

Incentivar o aparecimento de novos valores

O Prémio João da Silva Correia consubstancia-se na garantia da publicação da obra selecionada, mediante a comparticipação financeira, pela Câmara Municipal, nos custos da respetiva edição, até ao limite de 3.000 euros. A cerimónia de consagração do premiado ocorrerá com o lançamento do respetivo livro, em sessão pública, com data a divulgar oportunamente.

Constituindo uma homenagem a João da Silva Correia (1896-1973), jornalista e escritor sanjoanense, autor do romance “Unhas Negras”, este concurso literário realizado pela autarquia de S. João da Madeira – e operacionalizado pela Biblioteca Municipal Dr. Renato Araújo – visa promover a leitura e a escrita criativa, assim como incentivar o aparecimento de novos valores na literatura de língua portuguesa.

Nesta edição foram recebidos 79 originais de poesia, um número que dá continuidade ao aumento de participantes que se tem registado nos últimos anos e que é indissociável da maior abrangência geográfica e consequente divulgação que o concurso passou a ter desde 2019.

 

CINZAS E CRISTAIS – UMA LEITURA DE “À SOMBRA  DO ESCONDIDO”

O livro “A Sombra do Escondido” destaca-se pela sua coragem verbal e imagética e pela rica densidade do seu mundo poético, o que levou o júri a atribuir-lhe, por unanimidade, o prémio João da Silva Correia.

Ele inicia-se com um exercício de contemplação do abismo. Como nos lembrava Nietzsche, “quem olha para o abismo deve estar pronto para que o abismo olhe para si”. O poeta aguenta essa prova e chega a dizer-nos “conheço bem a penumbra/ que acalenta um homem morto”.

O confronto íntimo com a educação cristã marca o percurso deste poeta. Há um “pacto do inconforto” entre ele e as palavras de Deus, que passam pelas palavras do Pai. E depois, assumido esse confronto e atravessada a inicial visão do abismo, o poeta está pronto para vir denunciar “o ovo da serpente” que irrompe na História e enunciar o “breviário de assombros” de que é feita a vida. Mas a palavra final é de esperança e assim diz-nos o poeta na sua “Arte Poética” no final do livro:

mostro as cinzas para que vejas
o cristal (...)

A poesia é a arte de transformar, pela força das palavras, as cinzas em cristal. Pode depois o poeta levar para o exílio apenas as cinzas e as sombras, como enuncia no último poema deste livro. Não importa: “no limite da dor há sempre uma janela, uma janela iluminada” (Éluard). A poesia é essa janela de onde podemos aperceber, contra toda a cinza e toda a dor, o puro cristal das palavras.

À sombra do escondido” é um livro que nos faz acreditar na força da poesia.

Luís Filipe Castro Mendes, membro do júri

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